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October 3, 2012
October 3, 2012

Grécia: Algumas palavras dos detidos no protesto anti-fascita desde as celas de detenção da esquadra da polícia

Source: Indymedia  Category: Antifascism
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Grécia: Algumas palavras dos detidos no protesto anti-fascita desde as celas de detenção da esquadra da polícia

Mesmo que já tenham passado três dias desde que fomos presos durante o protesto anti-fascista de domingo 30 de setembro, acreditamos que é necessário tornar os acontecimentos mais claros.

No domingo 30 de Setembro, depois de uma proposta pública, foi iniciada uma marcha de motos para colocar posters desde o bairro de Exarhia. Este protesto surgiu como resposta aos massacres e ataques contra imigrantes ocorridos em diversos locais do centro de Atenas e levados a cabo por grupos facistas camuflados de “comités de bairro ou comités de comerciantes” ajudados pelas forças do Estado.

A relação entre a Aurora Dourada[1] (Xrisi Avgi) e a polícia é bem conhecida e não é do nosso interesse analisá-la ou explicá-la aqui e agora. No prosseguimento do ataque dos membros da Aurora Dourada (cidadãos) contra a marcha de motos, a força Delta2, que vinha não só nosso encalço como nos perseguia igualmente a partir de ruas adjacentes, lançou um ataque.

Num total de quinze antifascistas, homens e mulheres, fomos presos e espancados em várias partes do corpo, incluindo cabeça, mãos e pés, e fomos mesmo alvo de armas de dardos eléctricos (tasers).

Fomos levados para o sexto andar da esquadra da polícia, fora do departamento reservado à protecção do regime, onde a noite foi passada com novos espancalentos, ameaças, puxões de cabelo, queimaduras, bem como fotos de recordação para os álbuns pessoais dos membros da força Delta que nos guardavam.

Ameaças como “agora que sabemos quem vocês são, iremos enterrar-vos como outrora fizemos com os vossos avós durante a Guerra Civil” são indicativos da atmosfera terrorista que estes pretores cretinos da força Delta nos tentaram impor, enquanto a comunicação com advogados ou médicos nos foi negada por 19 horas. No dia seguinte, depois que o nosso transporte se ter tornado num espectáculo gratuito, fomos finalmente conduzidos ao tribunal.

Enquanto ali estivemos, a polícia de intervenção atacou as pessoas que se tinham juntado para demonstrar a sua solidariedade connosco, espancando-os igualmente com violência, acabando por deter 25 pessoas e apreender 4. Os novos presos foram novamente levados para o sexto andar da esquadra da polícia, sob a mesma atmosfera terrorista com buscas corporais humilhantes, sendo a sua detenção prolongada por três ulteriores dias, assim como a nossa que decorrerá até quinta-feira [11 de Outubro], sob uma decisão vingativa sem precedentes.

Fomos depois transferidos para o sétimo andar da esquadra e colocados numa ala superloatada. Destinada a 30 pessoas, esta ala é actualmente “usada” por 80 em condições incrivelmente lúgrubes cujo objectivo é deitar-nos abaixo; e no entanto, encontrámos um sentimento único de solidariedade por parte das pessoas que ali estão “esquecidas” há mais de 3 meses.

Neste período de “crise económica” em que um número crescente de pessoas é conduzido a condições de pobreza e miséria, o canabalismo social é visto como uma virtude, o fascismo cresce nos nossos bairos e o ataque estatal extende-se a todos os níveis, a opção pela auto-organização, solidariedade, camaradagem e acção directa tornam-se não só numa muralha defensiva contra o medo que eles nos tentam impor, como também numa perspectiva de organização social alternativa.

COMPREENDE A FUNDO O FASCISMO

NÃO MORRERÁ POR SI PRÓPRIO


[1] Grupo Neo-Nazi que, pela primeira vez na sua história, possui 18 assentos no Parlamento grego desde as eleições de Junho de 2012.
[2] A força Delta corresponde a uma unidade motora da polícia constituída por 300 voluntários masculinos; é extremamente anti-popular devido à força excessiva que aplica durante os protestos. O grupo nem é apreciado pela própria força policial, sendo os seus elementos normalmente considerados psicopatas.

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