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June 12, 2013
June 12, 2013

Assim foi como a Grécia tornou-se o único país da UE sem emissora pública

Author: Anna Papoutsi Translator: Sara R. Romo
Category: On the crisis
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Assim foi como a Grécia tornou-se o único país da UE sem emissora pública

Por volta das 11 da noite do dia 11 junho de 2013, o sinal da ERT deixou de transmitir.

O governo grego decidiu fechar a emissora pública. 2.656 pessoas foram notificadas nesse mesmo dia que eles estavam a ser deitados para a rua. Usando um acto legislativo, que é para ser utilizado só em casos extremos e urgentes e que não precisa das assinaturas dos quatro Ministros ou a maioria no Parlamento, o primeiro ministro Samaras enviou a polícia anti-distúrbios para desligar o transmissor ERT da montanha do Hymettus.

E, desta forma, a Grécia tornou-se o único país da UE que já não tem uma emissora pública.

ERT rádio foi fundada em 1938. A primeira vez que foi fechada ocorreu em Atenas, em 1941, durante a invasão alemã . Nessa última emissão, o jornalista disse: “Em breves momentos, a rádio já não vai ser grega e só vai transmitir mentiras”.
Desde então, a ERT tem sido fonte de informação, cultura, notícias e educação para milhões de expatriados gregos, através do seu programa de satélites disponíveis em todos os continentes, assim como para os habitantes de áreas remotas e ilhas.

A contribuição cultural da ERT ao longo do tempo é de valor inestimável, com shows e programas que nunca teriam sido financiados por qualquer emissora privada de conveniente e patrocinado entretenimento. A título indicativo, devemos mencionar “Segundo Teatro” e “Terceiro Programa” por Manos Hadjidakis no rádio, o “Monograma”, que durante 31 anos tem estado a transmitir sobre o trabalho intelectual, artístico, científico e cultural de pessoas que representavam a vida social global da Grécia moderna; documentais de política como “Informe sem Fronteiras” por Stelios Kouloglou e o “Exandas”, único e genial, de Giorgos Avgerinopoulos. Temos de nos lembrar também do valor da TV educacional e da realização de maratonas por organismos internacionais como a UNESCO, além de torneios desportivos internacionais. Sem esquecer os conjuntos musicais da ERT e da Orquestra Sinfônica Nacional.
ERT tem digitalizado recentemente todo o seu enorme arquivo. Até agora, qualquer pessoa podia aceder livremente a ele através do seu website. Este arquivo contém importantes momentos históricos, sociais, culturais e políticos da história da Grécia.

O fechamento da ERT agrava o horizonte já obscuro dos meios de comunicação na Grécia, uma vez que a ERT era a única emissora com licencia legal para emitir. Os canais de televisão de propriedade privada e estações de rádio na Grécia têm estado a funcionar em função das suas autorizações temporárias durante os últimos 20 anos. Em Grécia existe um regime peculiar de refém e chantagem mútua entre governos e proprietários de meios de comunicação, sendo o prêmio os lucrativos contratos públicos.

O governo, com a desculpa de reformar a ERT e de endireitar erros que já estão a durar demais (erros que eles mesmos criaram), está a tentar exercer um forte controlo sobre a emissora pública.

Este artigo não é só pelos 2.656 funcionários, que foram efectivamente deitados para a rua e que, posteriormente, têm direito em teoria a um trabalho na nova empresa (que vai “contratar” apenas 1.000). Aqui trata-se de lutar pela democracia, pela liberdade e pela qualidade da informação. E, finalmente, pela renúncia de um governo que está a ficar autoritário .

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