Thursday 17th October 2019
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March 9, 2014
March 9, 2014

A minha jornada na Grécia

Author: Bruna Cunha
Category: Letters from home
This article is also available in: elen
A minha jornada na Grécia

Quando fui para a Grécia consegui perceber algumas das lutas e realidades diárias neste país. Agora tenho muito mais conhecimento sobre temas como a ditadura, a democracia grega e como diferentes grupos sociais trabalham juntos ou tentam fazê-lo (media e a polícia, por exemplo).

Fiquei muito intrigada com a polícia quando vim para Atenas. Não estava habituada a ver tantos agentes, os veículos que usam são enormes (em Portugal cabem apenas 9 policias dentro de uma carrinha), os fatos que usam são diferentes e estão sempre muito armados.

Esta atmosfera não me deixava confortável. Algumas pessoas diziam-me que era por causa da crise. Como se “crise” e “presença policial” fossem sinónimos e eu é que não percebia. Pouco depois comecei a ver manifestações e quantos polícias estavam nas ruas nesses momentos. Comecei a perceber que em temos de crise a voz das pessoas fica mais alta e a polícia tem que a manter baixa.

A Grécia que eu vi não é a mesma que é publicitada em panfletos de turismo. Lá, as fraquezas de um país são vistas de uma forma crua. Vemos o contraste das pessoas que têm dinheiro e poder e daquelas que nada têm.

Jornalismo na Grécia

O jornalismo profissional tem como objetivo tornar-se autónomo, já que todos nós temos a noção de que os jornalistas servem os interesses públicos que transcendem os interesses particulares de grupos sociais e partidos políticos.

Na Grécia, os grandes grupos económicos como a indústria naval, turística ou petrolífera possuem os media e trabalham juntos com políticos. Isto quer dizer, obviamente, que a autonomia jornalística é limitada – o que nos faz pensar que o jornalista é um escravo do poder instalado.

Jornalismo e Democracia

Desde a restauração da democracia parlamentar em 1974, os media têm passado por um processo de modernização. A entrada de homens de negócios neste sector e a competição televisiva mudaram os media em 1980. Como resultado, o conteúdo apresentado é mais objetivo e a associação com partidos políticos é considerada ultrapassada. Apesar disso, esta associação está sempre presente, especialmente em períodos de tensão ou eleições.

Os jornalistas fazem o trabalho deles sem os princípios que foram ensinados e há sempre alguém que pode dominar ou reduzir a nada o que eles reportam. Mas se os políticos não ouvem a voz do povo, como é que os jornalistas podem documentar essa “voz”?

Os media acabam por não servir os interesses dos cidadãos, mas os interesses governamentais. Num período tão critico, a função dos media convencionais deveria mudar, mas a rede de ligações com o governo não ajuda. A objetividade é muitas vezes esquecida para benefício daqueles que financiam os media e a verdade é mantida em silêncio.

Crise na Grécia e no Jornalismo

A crise na Grécia trouxe muitas consequências económicas, sociais e politicas, tais como o crescimento do desemprego e da pobreza. Claro que os media também sofrem desta recessão dado que não há dinheiro para os financiar, o que leva à queda de publicidade e ao despedimento de jornalistas. Aqueles que ainda têm emprego, desenvolvem o seu trabalho em más condições.

Como se sabe, os media convencionais estiveram sempre ligados ao governo por darem apoio e cobertura às suas politicas. Os media recebiam fundos através dos bancos que estavam ligados ao governo. Agora que a prosperidade económica parece estar tão longe, a relação entre os media tradicionais e o governo está ainda mais forte.

Um bom caminho para os Media

Apesar de os desenvolvimentos no sector dos media poderem, por vezes, resultar em inseguranças, o sistema tem provado ser surpreendentemente adaptável e flexível quando precisa de mudança – em termos históricos sabemos isso muito bem.

Uma nova lógica dos mercados dos media pode retirar a dependência que as organizações jornalísticas ainda têm de subsídios e desencorajar a relação com partidos políticos. Pode também implicar que as empresas de media se tornem demasiado caras e desencorajam as pretensões de aquisição por parte dos políticos. Com esta desejável mudança, os media poderiam ter novos ideais e formas de trabalhar. A diferença seria massiva!

Vivemos num mundo do trabalho muito competitivo e aqueles que escolhem ser profissionais neste sector precisam de ser criativos e apaixonados. Se não nos distinguirmos dos demais, dificilmente singraremos nesta área.

No entanto, acredito que a competição pode ser algo muito bom, mas não uns com os outros – pode haver competição saudável connosco próprios e começa com uma atitude positiva. Só porque vivemos em tempos de crise – o que quer que isso signifique – não temos que abandonar os nossos sonhos e ambições.

Olhar para o Futuro

Sabemos que a crise, em termos económicos, é apenas uma fase. Tal como a prosperidade. Analisar quem fez o quê e como é que a situação chegou aos dias de hoje pode ser tempo desperdiçado, a não ser que seja com um objetivo didático: o de não repetir os mesmos erros, nunca mais.

Apesar das dificuldades, os cidadãos podem e devem basear-se nos valores de justiça social e criar uma plataforma unificadora de forma a redistribuirmos melhor o poder. Podemos unir forças com organizações de forma a defender os nossos direitos e reestruturar a sociedade de acordo com as necessidades humanas.

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A minha jornada na Grécia by Bruna Cunha is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported License.

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