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April 25, 2013
April 25, 2013

Portugal – os cidadãos dizem não à Troika

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Portugal – os cidadãos dizem não à Troika

25 de Abril, data do aniversário da « revolução dos cravos » de 1974. – DR
Os portugueses devem descer novamente à rua em massa neste 25 de Abril, aniversário da « revolução dos cravos ». O objecto da contestação : a política de austeridade imposta por Bruxelas e Frankfurt.

Os portugueses devem mais uma vez manifestar-se em massa este 25 de Abril, data do aniversário da « revolução dos cravos », que colocou fim à ditadura mais longa da história da Europa. Tal como no dia 2 de Março, a reivindicação é simples : demissão do governo e acabar com a politica de austeridade.

Início de Abril, os manifestantes encontraram na Corte Constitucional um aliado de peso, já que a mesma acaba de retocar algumas medidas de rigor inscritas para o orçamento de Estado de 2013. O Primeiro-Ministro, Passos Coelho (PSD), anuncia no entanto novos cortes nas despesas públicas, obtendo o suporte do Presidente da República, Cavaco Silva (PSD). Esta atitude valeu ao último um comentário do seu predecessor, Mário Soares (PS), numa entrevista ao quotidiano i : « Ele devia recordar-se da história do séc. XX. O último rei de Portugal foi morto [em 1908] por muito menos. »
A política do governo está a ser marcada pelo seu insucesso depois de ter colocado em prática o plano de ajuda de 78 milhões de euros acordados em Maio de 2011 pela Troika (FMI, BCE e Comissão Europeia). A recessão agrava-se, o défice orçamental aumenta e o desemprego bate recordes, estando neste momento nos 17.3%. O chefe da oposição socialista, António José Seguro, rejeitou as chamadas da Troika e do governo para apoiar a política de rigor.

A sociedade civil tenta mobilizar-se

Mas a posição mais rigida é aquela de Mário Soares. O primeiro socialista assegurou publicamente que Portugal devia rejeitar o pagamento da dívida, indo de encontro à posicção do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda. « Quando não há dinheiro, não se paga. »

O mesmo aconteceu com a Argentina, por exemplo, e o povo não se encontrou numa situação pior. Ao dizer não, os portugueses podem respirar de alívio. A pobreza recuaria, assim como o desemprego. Para o antigo Presidente, « a Troika funciona como se fosse proprietária do país e quisesse provocar a nossa ruína enquanto Estado-nação. Para salvar o Euro e a União Europeia, é necessário que os mercados especulativos obedeçam novamente aos Estados. »

A crítica feroz não é apenas um capricho de esquerda, como bem demonstra o comentário do antigo vice-presidente do Parlamento Europeu, José Pacheco Pereira, do mesmo partido que Passos Coelho. « Opôr os jovens aos velhos, os reformados aos que não descontam, os desempregados aos que trabalham, como está a fazer o governo, é um discurso muito perigoso, inaceitável numa democracia », confia o mesmo ao jornal i. Para sair da crise, a sociedade civil deve mobilizar-se. A Iniciativa, o recente projecto que pretende elaborar uma auditoria cidadã à dívida pública é um exemplo.

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